sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O Jovem e o Capitalismo

O jovem foi gerado pelo sistema capitalista, e assim sua adaptação ocorreu de forma natural. Nesse sentido, é normal que os jovens busquem estar na moda, ter um corpo de acordo com os padrões estéticos impostos pelo mercado, uma vez que a indústria cultural e suas ferramentas construíram essa realidade, ou seja, tornou-se parte do mundo dos jovens buscarem essas formas de reconhecimento social.
Esse sistema impulsionou uma valorização do descartável: o jovem busca se enquadrar nesse mundo consumista efêmero, e não só. Suas relações interpessoais são, ao mesmo tempo, mediadas basicamente pela efemeridade. Esta por sua vez, é acondicionada pela ideologia, imposta especialmente pela mídia, de liberdade através da perfeita manipulação dos desejos dos mesmos. Dessa forma induz-se, também, ao pensamento de que o sistema que aí está em detrimento dos outros, é a melhor maneira de viver no mundo.

João Ortiz

(texto em resposta a enquete)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A CORROSÃO DO CARÁTER

A idéia central dos escritos de Senett circunda o aspecto inconstante do capitalismo flexível: o do desdobramento do homem em diversos momentos de sua vida trabalhista no novo capitalismo. Essa idéia de flexibilidade corrobora o desenvolvimento de mudanças e incertezas nos distintos aspectos vivenciados pelos indivíduos.
Assim, submetido a esse sistema de docilidade temporal, o individuo é sondado a flexibilizar o seu caratismo, ou seja, o modo como age.
Destarte, suas atitudes passam a se pautar de tal forma que o direcione a sobreviver na “temporalidade social”: se envereda num fluxo que o leve a ascensão social, sem levar em conta as relações familiares e de amizade – os laços familiares e de amizades propriamente ditos − onde moral e ética são gastos, ou como prefere Sennett: drasticamente corroídos.

João Ortiz

(Texto produzido a partir da leitura do artigo "Deriva: como o novo capitalismo ataca o caráter pessoal" IN: A Corrosão do Caráter, de Richard Senett)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

AS RELAÇÕES HUMANAS NO SISTEMA CAPITALISTA

As relações humanas são integralmente intermediadas pelo sistema capitalista, o homem moderno insere-se numa realidade onde é abolido o senso de caráter. O imediatismo e o vazio de todos os sentidos tornam permissivas ações que desprezam os valores éticos nas relações.
O tempo, ou melhor, a falta dele é conseqüência desse sistema. Até o companheirismo nas relações passou a fazer parte da agenda das pessoas. É como se todos estivessem sempre devendo alguma coisa a alguém sempre tendo que ser simpático, e, cada vez mais, sempre faltando tempo: as relações humanas passaram a ser vazias, volúveis e descartáveis.
Assim, as pessoas passaram a se organizar por listas, agendando o que se tem que fazer no dia seguinte: família, carreira, viagens, reuniões e, no entanto, nunca encontram seu tempo dentro das 24 horas estabelecidas.
O tempo em nossa sociedade, passou a ser a matéria prima da vida: as pessoas passaram a dependentes do tempo. O tempo para as relações interpessoais, pro lazer, pro “nada” é escasso e não se encontra mais, é ele a grande ferramenta mercadológica de nossos tempos, regente das relações humanas.

João Ortiz

(Texto produzido a partir da leitura do artigo "Deriva: como o novo capitalismo ataca o caráter pessoal" IN: A Corrosão do Caráter, de Richard Senett)